04.07.2009
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Brasil: Tráfego aéreo melhora, mas crise continua a ser ameaça

Publicado 07.12.2006

Por Todd Benson

SÃO PAULO (Reuters) - O tráfego aéreo brasileiro começou a voltar ao normal nesta quinta-feira, depois de dois dias de muita confusão nos aeroportos do país e em meio a pressões cada vez maiores para a renúncia das autoridades responsáveis pelo setor.

Dezenas de vôos continuavam atrasados no país, afirmou o Departamento de Aviação Civil (DAC).

Mas a situação era bem melhor do que na terça e quarta-feiras, quando uma pane no sistema de comunicação do centro de controle aéreo Cindacta 1 obrigou as autoridades a adotar a inédita medida de fechar temporariamente três grandes aeroportos.

"A situação deve voltar ao normal até o final do dia", afirmou uma porta-voz do DAC.

Nos últimos dois dias, ao menos mil vôos foram atrasados e outros 322 cancelados, provocando protestos de passageiros indignados e levando o Congresso Nacional a criar duas comissões para investigar a situação.

A crise também fez surgir pedidos para que o ministro da Defesa, Waldir Pires, e o comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Luiz Carlos Bueno, renunciassem a seus cargos.

Na quarta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados pediu que o governo adotasse "medidas drásticas" para enfrentar a crise. Alguns congressistas e especialistas do setor de aviação disseram ser hora de os militares entregarem o controle do tráfego a autoridades civis.

O presidente da Embraer, a maior fabricante de jatos regionais do país, também considerou inaceitável a situação vivida nos últimos dias.

"Eu acho uma confusão inaceitável, eu como passageiro fico indignado... eu espero que seja avaliado o que levou a isso porque um país como o nosso, pela relevância que o transporte aéreo tem, não pode ficar sujeito a situações deste tipo", afirmou Maurício Botelho, durante solenidade de entrega de aeronaves da empresa para a Força Aérea da Colômbia nesta quinta-feira.

ESTOPIM

O tráfego aéreo no país enfrenta dificuldades desde a queda, no dia 29 de setembro, na região da floresta Amazônica, de um Boeing da Gol. O acidente matou as 154 pessoas a bordo.

A investigação sobre o desastre, que ainda não chegou ao final, chamou atenção para vários problemas existentes no sistema de controle de tráfego aéreo do país.

Depois do acidente, os controladores de vôo organizaram operações padrões a fim de exigir melhores salários e melhores condições de trabalho, prejudicando o tráfego aéreo por várias vezes nos últimos dois meses.

As autoridades também investigam se o problema surgido nesta semana teria sido resultado de uma sabotagem realizada por controladores insatisfeitos, que dizem terem sido transformados em bodes expiatórios da tragédia com o Boeing da Gol.

Segundo alguns analistas, a crise poderia ter um efeito cascata sobre a economia brasileira, um país de dimensões continentais no qual os aviões são muitas vezes a única opção para os que viajam a negócios.

As empresas aéreas já sentem as reverberações da crise. As ações de duas das maiores companhias aéreas do Brasil, a TAM Linhas Aéreas e a Gol Linhas Aéreas Inteligentes, caíram mais de 15 por cento nos últimos dois meses.

E, na quinta-feira, a Gol, pela segunda vez em um mês, reviu para baixo sua previsão de lucro para este ano, citando como motivo uma diminuição no número de passageiros em virtude da crise. A TAM não quis fazer comentários sobre uma eventual queda no seu faturamento.

(Com reportagem adicional de Cesar Bianconi)

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