María Peña Washington, 21 mai (EFE).- O Senado dos Estados Unidos aprovou hoje o início do debate sobre um projeto de lei de reforma migratória após a coalizão democrata ter obtido os votos necessários para o processo.Com 69 votos a favor e 23 contra, os senadores aprovaram uma moção de procedimento que permite o início do debate nesta noite e a apresentação de inúmeras emendas ao longo da semana.
A moção precisava do apoio de, no mínimo, 60 senadores e, inicialmente, a oposição democrata corria o risco de não atingir o número estipulado.
O líder da maioria democrata do Senado, Harry Reid, reconheceu a dificuldade da questão e afirmou que não seria produtivo "tentar concluir este projeto nesta semana".
"Não temos tempo suficiente para (debater) este grande projeto de lei", declarou Reid.
Os democratas queriam submeter o plano de reforma à votação final antes do recesso legislativo da próxima semana, por ocasião do Memorial Day (que homenageia aqueles que lutaram e morreram pelos EUA).
Como concessão à bancada republicana do Senado, Reid aceitou estender o debate para depois do recesso legislativo. A medida tem o intuito de dar oportunidade aos parlamentares que desejam apresentam emendas para modificar o projeto de lei.
O senador republicano Jon Kyl, um dos senadores que negociaram durante três meses o acordo-chave, disse no plenário do Senado que esta noite serão concluídas as mudanças técnicas no projeto de lei.
Kyl afirmou que o projeto de reforma inclui medidas para "restabelecer o império da lei", o fortalecimento da segurança das fronteiras, sanções a empresas que contratem imigrantes ilegais e uma resposta à população ilegal que já está em solo americano.
Entre as emendas que serão debatidas esta semana, está a do senador republicano Jeff Bingaman, que reduziria pela metade os 400.000 vistos que seriam destinados a um plano de trabalhadores temporários.
Por outro lado, o senador democrata Byron Dorgan deve apresentar uma emenda que eliminaria totalmente o plano de trabalhadores temporários.
Vários senadores democratas também apóiam emendas para modificar as cláusulas sobre o benefício da extensão do visto aos familiares dos trabalhadores.
A senadora republicana Kay Bailey Hutchinson, que se opõe a uma anistia, disse hoje que apresentará uma emenda para restringir o acesso dos imigrantes ilegais à residência permanente ou ao "green card" (visto permanente).
O acordo, anunciado na última quinta, também provocou críticas de todos os setores do país: os conservadores acusam o projeto de ser uma "anistia" não merecida, os grupos pró-imigrantes o consideram punitivo para as famílias e o setor empresarial acredita que é insuficiente para as demandas do mercado de trabalho.
A única certeza é que os senadores precisam estabelecer um projeto de lei que corrija a porosidade das fronteiras e tire da sombra a população clandestina dos Estados Unidos.
No entanto, o consenso parece ainda estar longe de ser atingido.
O acordo-chave entre democratas, republicanos e a Casa Branca inclui um sistema de pontos que privilegiaria aqueles que tenham um bom nível de educação e altas qualificações trabalhistas, além de eliminar as reivindicações para residência por laços familiares.
O chefe de família teria de retornar a seu país de origem em um prazo de oito anos para solicitar dali sua residência permanente, acrescenta o acordo de 380 páginas.
A oposição ao plano é intensa na Câmara de Representantes, onde vários legisladores conservadores já deixaram claro que votarão contra.
"É importante que enviemos um sinal que desta vez não haverá anistia", pois "não se pode premiar aqueles que violaram as leis" e "não podemos repetir os erros do passado", declarou hoje em entrevista coletiva o republicano Daniel Lungren.
Grupos pró-imigrantes e a federação sindical AFL-CIO criticam o programa de trabalhadores temporários, pois, segundo as entidades, contém muitas restrições e transforma os trabalhadores em cidadãos de segunda classe.
Por todo o território dos EUA, a resposta dos imigrantes ilegais à nova proposta foi uma recusa monossilábica: "não". A explicação também é simples. A exigência de retornar ao país de origem e deixar suas famílias nos EUA não parece estar no plano de nenhum deles. EFE mp lb/fal
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