Por Mary Milliken
LOS ANGELES (Reuters) - O drama de baixo orçamento "Quinceanera" (Festa de Quinze Anos), feito com baixo orçamento e premiado em Sundance, pode ensinar aos americanos mais sobre a vida dos latinos em seu país do que qualquer outro filme -- e eles deverão agradecer por isso a dois homens brancos que nem sequer falam espanhol.
Escrito e dirigido por Richard Glatzer e Wash Westmoreland, o filme estréia nos EUA na próxima sexta, em meio a um acalorado debate nacional sobre a onda de imigrantes vindos da América Latina e sua influência sobre os Estados Unidos.
O timing, dizem os diretores, é apenas coincidência. Mas, desde que a produção feita com 500 mil dólares conquistou os prêmios máximos de drama e público no Festival de Cinema Sundance este ano, a questão dos imigrantes latinos vem se tornando uma batata política cada vez mais quente, neste ano eleitoral.
Ambientada em Echo Park, um bairro latino em Los Angeles cujos moradores vivem um processo de ascensão social incipiente, a história analisa a americanização de uma grande família latina e seus conflitos em torno de sexualidade, tradição, raça e classe social.
Magdalena (Emily Rios), filha de uma família de origem mexicana, se aproxima de sua "quinceanera", a festa que constitui um marco na vida de garotas hispânicas que completam 15 anos de idade. Entre preocupações com seu namorado e seu vestido, ela está obcecada em conseguir uma limusine Hummer para seu grande dia.
"Muitas vezes os pais têm uma visão mais tradicional, enquanto os filhos se comunicam por mensagens de texto e querem limusines Hummer para suas 'quinceaneras"', disse Westmoreland. "Quando as culturas diferentes se integram, há muitos resultados positivos."
Enquanto não chega o dia da festa, Magdalena descobre que está grávida, causando vergonha a sua família, que é religiosa. Ela é obrigada a se mudar para a casa de seu mais velho e tolerante tio Tomás (Chalo Gonzalez), que já deu abrigo a seu primo rebelde Carlos (Jesse Garcia).
Eles vivem na casa de fundos alugada por Tomás num imóvel comprado recentemente por um casal gay branco e rico. Os dois mundos não demoram a entrar em choque, colocando em risco a existência e o modo de vida da família.
TIMING PERFEITO
Foi uma "quinceanera" real que levou os dois diretores a fazer seu primeiro filme de temática latina.
Seus vizinhos em Echo Park lhes pediram para fotografar uma festa desse tipo, e os cineastas ficaram espantados com os preparativos complicados para a festa, que incluíam aulas de valsa para a garota e seus amigos durante semanas antes do evento.
Eles traçaram o plano de fazer o filme no dia 1o de janeiro de 2005, e em abril desse ano já o estavam rodando, tendo escolhido atores talentosos mas desconhecidos e contando com seus vizinhos prestativos para lhes ajudar a interpretar a cultura e a língua.
"Eles tiveram uma abordagem de muito respeito", disse Emily Rios, 17 anos, filha de mexicanos do vizinho San Gabriel Valley, que representa Magadalena em seu primeiro trabalho no cinema. "Acho que mostraram nossas tradições e nossa cultura de maneira muito realista."
Os diretores disseram que o filme tem uma mensagem universal que ultrapassa de longe o mundo latino.
"Ele fala da capacidade de uma família de classe trabalhadora de adaptar-se e sobreviver às condições econômicas em transformação", disse Westmoreland.
Mas para Emily Rios, que está cansada de ver latinos sempre fazendo papéis de empregadas e jardineiros, o filme envia uma mensagem importante sobre a comunidade latina.
"Pudemos mostrar ao mundo que temos muitos outros talentos, e espero que este filme nos abre portas", disse ela, acrescentando: "Acho que o timing foi perfeito."
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