04.07.2009
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Novo filme de Oliver Stone saúda coragem de heróis do 11/9

Publicado 09.08.2006

LOS ANGELES (Reuters) - Desta vez não há polêmica em torno do diretor -- apenas em torno de sua obra. Os críticos estão elogiando o provocador Oliver Stone pelo respeito, discrição e patriotismo demonstrados em seu novo filme "As Torres Gêmeas" ("World Trade Center").

Os elogios aparecem ao mesmo tempo em que se indagam se o público norte-americano está preparado para assistir a um filme sobre uma ferida nacional que ainda não cicatrizou: a tragédia de 11 de setembro de 2001.

"As Torres Gêmeas" mostra o heroísmo de dois policiais que mergulharam no inferno do WTC para salvar pessoas e acabaram soterrados sob os escombros. O filme estréia nos EUA nesta quarta-feira.

Especialistas em bilheteria prevêem que, apesar das resenhas elogiosas, o filme da Paramount que custou 65 milhões de dólares terá um grande obstáculo pela frente: será que as pessoas vão querer vê-lo, ou preferirão se abster devido ao tema delicado?

Para alguns especialistas, o filme pode ser considerado sucesso se vender mais de 20 milhões de dólares em ingressos entre hoje e domingo.

Imediatamente após o desastre, cineastas evitaram o tema e chegaram a deletar imagens das Torres Gêmeas digitalmente de filmes já existentes. Foi o caso de uma cena de "Homem Aranha", que foi cortada porque mostrava o super-herói escalando as duas torres.

Mas, em abril deste ano, "Vôo 93", sobre a revolta dos passageiros do vôo da United Airways que impediu seus sequestradores suicidas de derrubar o avião em Washington, estreou entre críticas respeitosas, arrecadando 31,5 milhões de dólares nos EUA, apesar de alguns espectadores terem saído do cinema chorando depois de assistir a parte do trailer.

Paul Dergarabedian, presidente da Exhibitor Relations, que rastreia cifras de bilheteria, disse que "Vôo 93" e "As Torres Gêmeas" são "filmes sobre um tema delicado que foram divulgados de maneira especial e respeitosa".

Ele acrescentou: "Qualquer filme que trate desse tema terá que encontrar um público disposto a encará-lo. Não se trata de diversão escapista. Esses filmes foram criados para um objetivo mais elevado do que a bilheteria, levando as pessoas a enxergar o acontecimento pelos olhos de seus diretores".

OLIVER STONE

O fato de "As Torres Gêmeas" ter sido feito por Oliver Stone provocou surpresa inicial, porque o diretor é conhecido por filmes políticos que desancam as autoridades, tais como "JFK -- A Pergunta que Não Quer Calar", que sugeriu que o assassinato de John Kennedy envolveu conspirações nos mais altos escalões do governo.

Desta vez, Stone não encontrou conspiração alguma, para a decepção de setores que pensam que o desastre foi planejado e então acobertado pelo governo norte-americano. De fato, esses setores podem estar entre os maiores críticos do filme e planejam distribuir folhetos na entrada de alguns cinemas no dia de estréia.

Basicamente, porém, os críticos consideraram o filme uma mudança de atitude espantosa de Stone, em relação a seus trabalhos anteriores.

O crítico do The Village Voice, J. Hoberman, indagou: "O que foi que Oliver fez desta vez? Para a direita irredutível, Oliver Stone é o mais odiado 'liberal de Hollywood' pós-Jane Fonda e pré-Michael Moore. Mas 'As Torres Gêmeas' é sua reabilitação. Não é apenas a coragem que é homenageada no filme, mas a vontade de Deus. Não são apenas os homens que são salvos, mas suas famílias e seus valores familiares".

O colunista conservador Cal Thomas descreveu a obra como "um dos maiores filmes pró-americanos, pró-família, pró-homens, pró-bandeira e Deus Salve a América que você jamais irá assistir".

Oliver Stone disse que espera que seu filme tenha efeito mais terapêutico do que incendiário.

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